O caminho para a glória

Quantos anos se levam para alcançar o auge? Alguns demoram menos de dois anos. Outros demoram mais. Já outros levam onze e não o alcançam. Mas do que exatamente estou falando? Bem, vocês já devem ter percebido quem será o tema deste artigo. Exatamente, um dos membros da New Day, Kofi Kingston.

Neste texto, a glória a qual me refiro é sem sombra de dúvidas uma das maiores conquistas de um pro wrestler: ser campeão mundial pela WWE. Lesnar por exemplo chegou a este patamar com menos de dois anos na empresa de Stamford, de forma meteórica vencendo nomes gigantescos e se tornando um deles ainda muito jovem. Mas de outro lado temos um caso menos notório, o de Kofi Kingston, que a onze anos atrás ingressava na maior empresa de Pro Wrestling do mundo.

Pois bem, poucos já atingem o nível de ter mais de uma década na WWE, quanto mais da maneira que Kofi sempre foi tratado. Kofi Nahaje Sarkodie-Mensah é um pro wrestler africano, nascido em Gana, mas em seu começo na WWE em meados de 2007/2008, era anunciado como jamaicano, um dos fatos que possivelmente influenciou no seu ring name de “Kingston”. Kofi nunca possuiu algum estrelato de fato, sempre manteve sua cadência em seus combates e é muito lembrado por algumas peripécias em Royal Rumbles e em MITB matches, mas agora Kofi vê em sua frente finalmente uma oportunidade de alcançar a glória máxima.

Sempre um face genérico, que segue aquela receita de bolo, Kofi passava despercebido a não ser pelos fatos que comentei anteriormente, até que seu heel turn veio após juntar-se a New Day e seu dom de atrair o público e fazer com que gostem dele então se tornou estratosférico. Mas ainda assim, Kofi continuava na rota por tag team titles aonde, diga-se de passagem, é sem sombra de dúvidas o maior nome da história da divisão, possuindo oito reinados ao todo, além de mais dias com um cinturão, e ser disparado o nome com mais dias somados como campeão de dupla. Além de reinados pelo Intercontinental Championship e pelo United Stated Championship. Kofi tinha e tem tudo. Carisma absurdo. Uma ring skill, mic skill, uma boa gimmick e uma interpretação convincente da mesma, apoio do púbico…Kofi tem tudo. Mas o que falta? É justamente algo que não se conquista, apenas surge, o famoso “it factor”, que ninguém consegue explicar. São caras com isso que simplesmente alcançam o estrelato independente de tudo, e ninguém consegue explicar o porquê exatamente.

Mas então, em paralelo a tudo isso, surge um homem ainda no 205 Live, fazendo combates bons um atrás do outro, ganha sua chance no SmackDown, agrada a todos e ganha destaque contra ninguém menos do que Daniel Bryan, o até então WWE Champion. Vocês sabem de quem estou falando. Mustafa Ali é o nome dele. Mustafa veio também de forma meteórica ao Main Roster, afinal já tirava combates formidáveis no 205 Live contra Buddy Murphy ou quem quer que fosse, e aparentemente impressionou Vince McMahon que lhe permitiu mostrar ainda mais.

Uma pequena rivalidade com Daniel Bryan se iniciou, inclusive com o mesmo sendo anunciado para a Elimination Chamber, demonstrando ainda mais o push absurdo e instantâneo que vinha recebendo, até que uma lesão lhe custou esta posição e este destaque. Aparentemente, Ali seria o responsável por boa parte dos “crazy spots” no combate, afinal seu estilo high flyer, mais ágil e veloz lhe permitira isso. Mas com ele fora, quem por no lugar? A escolha a princípio não agradou a todos e foi tratada de forma morna: Kofi Kingston era o nome a substitui-lo. O nome já batido, conhecido de todos não empolgou tanto e, além do mais, a falta de campeões universais negros na WWE não rendeu muitas esperanças a ninguém.

Mas como estávamos errados. Kofi mostrou todo seu potencial em uma gauntlet match e saiu aplaudido por toda a arena, causou euforia e parecia que o “it factor” nascia ali. No Elimination Chamber Kofi fez mais uma demonstração avassaladora como poucas vezes o vimos fazer e, como poucas vezes presenciamos numa Elimination Chamber Match, com muitos até mesmo achando que iria ser ali aquele momento aonde Daniel Bryan seria destronado e pela primeira vez teríamos um WWE Champion negro (A discussão se The Rock é ou não negro e coisas do tipo pode ficar para um próximo tema).

Mas não aconteceu. Fugindo da kayfabe, uma série de coisas beneficiou Kofi. A lesão de Ali e o fato de Daniel Bryan se recusar a lutar em países árabes foram os maiores dele.  Vince se viu obrigado a tirar o cinturão de Bryan, afinal, o seu campeão principal precisa estar presente e, se ele se recusa a lutar, bem, que seja outro. Kofi semana após semana veio ganhando ainda mais apoio de forma estrondosa, vencendo Daniel Bryan e conseguindo seu tão sonhado combate pelo título para o Fastlane…Mas, ai entra uma jogada chave de McMahon que muitos criticam talvez por não perceberem a magnitude dos planos.

A remoção de Kofi do combate e a adição de Kevin Owens. A suposta volta para o combate, mas o enfretamento contra a The Bar de Sheamus e Cesaro e agora, mais recentemente após este episódio de SmackDown, a Gauntlet Match absurda, contra superstars como Randy Orton, Samoa Joe, a própria The Bar e Eric Rowan. Nomes como o próprio Orton, John Cena e Roman Reigns outrora enfrentaram desafios tão absurdos, afinal, poucas vezes um superstar foi posto em frente a um desafio como este com a chance de se tornar tão “over” após um combate.

Caso Kofi vença, seu combate para a WrestleMania estará garantido. Dito tudo isto e percorrido este caminho, vamos refletir o que se criou: Kofi abraçou uma chance que teve como poucas vezes vimos neste ramo e então sua construção começou. Vince usou as formas mais eficazes de deixar alguém com o apoio da crowd. A indignação de todos com sua arrogância após removê-lo de combates, o tratar e dizer que ele não é merecedor de estar numa luta pelo WWE Championship, a constante forma de prejudicá-lo e apoio da New Day que também seguia indignada junto de Kofi. Tudo isso culmina para que Kofi venha tendo este momento absurdo, além de claro, o excelente reinado que Daniel Bryan vem fazendo que também implica nisto tudo.

O fato é, que por muito que estejamos descrentes, Kofi conseguirá sua chance na WrestleMania e não me assustaria que o mesmo saísse com o título. A história do injustiçado triunfando apesar de tudo, apesar de todas as dificuldades e desafios impostos. Aonde vimos isso? Claro, com o próprio Daniel Bryan na WrestleMania 30.

Este texto percorreu o caminho de Kofi, sua trajetória pouco notada e o seu momento atual e até um pouco a frente aonde as possibilidades se materializam. Mas a reflexão que gostaria de trazer é aquela velha forma de dizer que independente de tudo, continue lutando. Kofi demorou onze anos para se ver nessa posição. Poucas vezes vimos alguém estar prestes a ficar tão over e com tanto apoio. Eu particularmente acredito que esta gauntlet match servirá para mais combates para a WrestleMania se formarem, como por exemplo AJ Styles vs Orton. Acredito ainda que Kofi saíra como vencedor da WrestleMania e ficará marcado na história para sempre. Mas e você, acredita na vitória além das adversidades? Acredita que Kofi finalmente desenvolveu o “it factor”? Bem, para quem muito tempo passou despercebido, hoje Kofi cresce e alcança os mais brilhantes holofotes para si. Hoje Kofi está trilhando seu caminho para a glória e aparentemente chegará a seu destino. Hoje Kofi cresceu. Hoje, Kofi é grande. Hoje, Kofi é gigante.

Por: Danilo Oliveira

Twitter: @ace_williamspro

Jornalista, designer gráfico e apaixonado por cultura geek. Lutador de Pro Wrestling.



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