O ápice da evolução

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Não é de hoje que estamos acompanhando todo esse movimento na WWE que estão chamando de Womens Evolution. Quatro mulheres intituladas de Four Horsewomen são as responsáveis por essa evolução que estamos acompanhando. Becky Lynch. Charlotte Flair. Sasha Banks. Bayley. Estas quatro mulheres são designadas de carregarem esta mudança em suas costas. Claro, ao longo do caminho, temos alguns outros nomes que integram esta evolução. Alexa Bliss, Asuka, o Riott Squad e por aí vai, são apenas algumas delas, que apesar de não serem protagonistas, são alicerces de tudo isso. Neste texto não farei um retrospecto, com uma bela linha do tempo de todos os acontecimentos desta evolução, mas claro, irei passar por pontos importantes e dizer a importância disso tudo e falar que nem tudo é o mar de flores que pensamos.

Tudo isso se deu no NXT. Muitos costumam citar o combate entre Sasha Banks e Bayley como o pontapé inicial do que viria a ser evolução. Eu não diria que está completamente errado. Como era de esperar, o carisma destas quatro mulheres veio crescendo junto da importância e valor que as mesmas ganhavam show após shows. Lutando em combates antes exclusivamente do roster masculino, como “Iron Man Matches”, Elimination Chambers e até a famigerada Hell in a Cell. Isto, a princípio pode parecer um passo simples de inclusão, mas eu diria que foi o que sustentou tudo até agora.

As Divas sempre foram vistas apenas como mulheres objetos, que estavam ali apenas para mostrarem seus corpos, ou para a famosa “pausa pra tomar café”, como muitos falavam. E não podemos julgar isso, afinal, sempre foram combates mal bookados, geralmente sem relevância alguma se comparado ao resto do card. Mas isso mudou. Essas 4 mulheres supracitadas no texto, mostraram serem capazes de fazerem lutas iguais aos homens e muitas vezes até melhores (Becky Lynch vs Charlotte no EVOLUTION que o diga) e que para provar isso elas só precisavam de espaço, que elas conseguiram quase que a força, pois seu carisma fez com que essas decisões de conceberem mais espaço à elas fosse dada.

Mas recentemente, no meio de todo esse caminho, tivemos a inclusão de uma nova peça que é sem sombra de dúvidas alguma, uma peça chave e de extrema importância para esta evolução. Sim, estou falando dela. Ronda “Rowdy” Rousey. O maior draw feminino da história dos esportes. Independente de sua qualidade no ring, no microfone, ou seu carisma e interpretação de gimmick, é inegável que não existe lutadora no planeta que fosse capaz de atrair mais público do que Ronda. Nem mesmo Becky com seu carisma colossal de agora, se não tivesse Ronda como escada, estaria neste patamar.

A criação do Womens Tag Team Championship é outro passo importante, pois abre ainda mais o leque de oportunidades e variedade que podemos ter incluindo todo o roster feminino da WWE. Tudo bem, até aqui posso ter falado muito do que vocês já sabem e até devem ter constatado. Mas vamos a uma breve análise, afinal chegamos no pináculo da evolução, o máximo ponto aonde poderíamos chegar, afinal, pela primeira vez na história teremos um Main Event de WretleMania exclusivamente feminino!

Chegarmos a esse ponto, só mostra a conquista e que de fato não foi um trabalho em vão. Claro, isso não significa que Vince e seus diretores realmente enxergam as mulheres de forma diferente agora, mas significa que os fãs estão. Significa que as histórias agora estão interessantes e elas estão recebendo valor. Não são apenas corpos bonitos, estamos vendo lutadoras ali. A mudança do nome “Divas” para “Womens” para se referir as mulheres, por si só parece não representar grandes mudanças, mas é um dos mais fortes pontos a se analisar, pois é retrato do que disse acima. De que não se trata mais apenas de ser bonita e ser sexy, mas sim de ser uma wrestler com os requisitos como todos os outros homens.

No Japão, o Joshi Puroresu é extremamente comum e apreciado. Nomes como Manami Toyota, Aja Kong, Bull Nakano (Procurem, sério.) ficaram gravadas na história por serem das melhores female wrestlers que tínhamos. No Japão os shows de Joshi Puroresu são quase tão populares quanto shows comuns, protagonizados apenas por homens. Tanto que a STARDOM por exemplo é uma empresa dedicada somente a isso, o que é comum no Japão e, não existem limitações, ou formas de destratar e deixar irrelevante o trabalho delas por lá.

E é isso o que faltava (e ainda falta um pouco) para a WWE por exemplo. Dar essa importância e destaque as mulheres. É um assunto frágil de se tratar, uma vez que temos tudo rodando em torno apenas de 3 mulheres. Charlotte, Becky e Ronda. Deve se tomar cuidado aonde se pisa, pois tudo o que foi conquistado até agora pode ser jogado por água abaixo com o tratamento dessas lutadoras após o histórico Main Event de WrestleMania.

Para nós, a princípio não importa se tudo isso é uma forma de mascarar a máquina de ganhar dinheiro que essas mulheres se tornaram, pois no PW é tudo basicamente baseado nisso. Mas o cuidado real, é para não se tratar apenas e exclusivamente de “fogo de palha” e durar apenas por momentos e não ser algo vindouro.

A minha opinião sincera a respeito disso tudo e como chegamos ao ápice dessa evolução, é que o female Wrestling na WWE (atente-se bem que estou falando da WWE apenas) nunca mais será o mesmo. Acredito que por mais algum tempo teremos um destaque grande nessa área, mas não durará pra sempre. Dois ou três anos a frente e creio que começaremos a ver o desgaste de tudo isso. As mulheres pela primeira vez estão se sentindo representadas, afinal, não estão vendo mais “só mulheres gostosas em roupas curtas” (frase de uma amiga minha fã de PW), mas estão vendo ali personagens, mulheres fortes e em quem se inspirar, ou até odiarem. Como sempre foi e como o Pro Wrestling deve ser.

O Main Event de WrestleMania é o pico da evolução, é fato. Pois hoje, a storyline que envolve estas mulheres é a principal de toda a empresa. Elas são os maiores atrativos de um programa semanal por exemplo e, é quem o público mais anseia por ver (muitos créditos a bookagem de Becky e a escada que Ronda se tornou para isso). Mas após a evolução, vem a estagnação, e é esse o ponto crucial que tanto falo. Manter-se relevante e no topo será o verdadeiro desafio dessas mulheres, que ao meu ver possuem tudo pra continuarem tudo isso, mas é muito mais uma decisão corporativa do que capacidade das citadas, pois isso elas já demonstraram ter. As mulheres já conquistaram muito até aqui. PPV exclusivo (talvez como forma de amenizar polêmica da parceria com a Arábia Saudita), o título de duplas e todo o destaque da empresa. Mas que isso não seja apenas um lampejo resultante do movimento de (R)evolução das mulheres, mas uma base sólida e resistente para tudo o que virá mais a frente.

Este texto foi muito mais uma breve ponderação sobre o assunto do que qualquer outra coisa e, claramente relevante, afinal estamos a menos de uma semana do famigerado Main Event e não poderia deixar um tema tão em foco como este passar despercebido. Talvez você discorde de meus pensamentos ou tenha algo a acrescentar, e é por isso que existe a aba de comentários, para que possamos debater de forma saudável os temas! Por hoje é só, e lembrem-se “O descontentamento é o primeiro passo da evolução”.

Por: Danilo Oliveira

Twitter: @ace_williamspro

Jornalista, designer gráfico e apaixonado por cultura geek. Lutador de Pro Wrestling.



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